Permanecer vivo. Tudo gira em torno disso. A busca da felicidade é a busca de algo que faça a vida valer a pena de ser vivida. Viu quantas variações de "vida" eu usei? Muito V por aqui. V de verdade, não esses Vês que vêm da China. Os suicidas pensaram infelizes que não tinham mais motivos pra ficarem vivos. Não valia mais a pena - na avaliação deles. Mais V. Ter filhos é de alguma maneira uma vontade de permanecer vivo também. V. Estou fazendo uma livre associação de idéias que talvez você ache ridícula, óbvia e presunçosa, mas beleza. É do jogo. Ia escrever Jogo da Vida e me veio essa imagem na cabeça. Pensa bem, a gente tá o tempo todo se defendendo da morte. Tudo que acontece no "sistema" é resultado dessa vontade de permanecer vivo. V. Pra se manter vivo, o homem precisa de coisas que o ajudem a se manter vivo (yeah!), porque a natureza, se você pensar bem, não é fofinha ou hospitaleira. Os bichos estão sempre se comendo. Há dificuldades e o reino da eterna abundância não existe. Com a civilização, algumas pessoas começam a take for granted um conforto que não é um dado da natureza, ele precisa ser criado. Viu como eu enfiei uma expressão em inglês com a maior naturalidade e desfaçatez? Vi. V.
Friday, November 13, 2009
O jogo da vida (enhanced play)
Permanecer vivo. Tudo gira em torno disso. A busca da felicidade é a busca de algo que faça a vida valer a pena de ser vivida. Viu quantas variações de "vida" eu usei? Muito V por aqui. V de verdade, não esses Vês que vêm da China. Os suicidas pensaram infelizes que não tinham mais motivos pra ficarem vivos. Não valia mais a pena - na avaliação deles. Mais V. Ter filhos é de alguma maneira uma vontade de permanecer vivo também. V. Estou fazendo uma livre associação de idéias que talvez você ache ridícula, óbvia e presunçosa, mas beleza. É do jogo. Ia escrever Jogo da Vida e me veio essa imagem na cabeça. Pensa bem, a gente tá o tempo todo se defendendo da morte. Tudo que acontece no "sistema" é resultado dessa vontade de permanecer vivo. V. Pra se manter vivo, o homem precisa de coisas que o ajudem a se manter vivo (yeah!), porque a natureza, se você pensar bem, não é fofinha ou hospitaleira. Os bichos estão sempre se comendo. Há dificuldades e o reino da eterna abundância não existe. Com a civilização, algumas pessoas começam a take for granted um conforto que não é um dado da natureza, ele precisa ser criado. Viu como eu enfiei uma expressão em inglês com a maior naturalidade e desfaçatez? Vi. V.
A celulite da celebridade
Alguma surpresa com o fato de que as fotos mais valiosas das celebridades sejam aquelas que as mostrem na praia com quilos e celulites a mais? O povo vai ao delírio numa espécie de vingança. "Sim, nós as admiramos pelo seu sucesso na gincana social, mas veja só como elas são gente como a gente." Então ao mesmo tempo em que almejam aquela fama que não têm, respiram quase aliviadas quando os problemas dos que têm são expostos. Os famosos, por sua vez, vivem o dilema de usar a imprensa quando é do seu interesse e deplorar essa mesma imprensa quando ela divulga um lado que não lhes favoreça. "Uma coisa é a vida pessoal e a profissional". O lance é que essas coisas, obviamente, se misturam. As pessoas que idealizam um artista e o transformam num profissional (com todos os seus bônus) são também as pessoas curiosas com a sua vida pessoal (com todos os seus ônus).
Wednesday, November 11, 2009
Num triste igarapé da galáxia
Ouvi falar nos Supercordas (http://www.myspace.com/supercordas) pela primeira vez em 2004, quando apresentava um programa chamado 5 estrelas na rádio Viva Rio. O Rodrigo Lariú (http://mmrecords.com.br/), que produzia a coisa comigo, não podia ir naquele dia e - pra me fazer companhia - chamei o Régis Arguelles, um amigo que tocou baixo em tudo que é banda indie carioca (4 Track Valsa, Cigarettes, Supercordas e Stellar). Ele disse que ia e levaria junto um amigo, "um garoto muito talentoso que veio de Paraty". Então ele apareceu lá com o Pedro Bonifrate, o revolucionário cubano comigo na foto. A banda era realmente boa e outro dia o Diogo Valentino (eles têm esses codinomes), que também toca no grupo e veio de Paraty, me chamou pra fazer essa participação como o Hunter S. Thompson (http://pt.wikipedia.org/wiki/Hunter_S._Thompson) nas vinhetas que eles gravariam pra MTV. Tinha uma certa pinimba com o Hunter porque ele era citado junto com o Bukowski como influência por 9 entre 10 dos "novos escritores brasileiros". Tipo, é isso o que essa galera moderna e petista cultua? Porque há essa coisa dos esquerdistas serem liberais nos costumes (good) mas se transformarem em control freaks quando o assunto é a economia (bad). Não, não há liberdade verdadeira sem liberdade econômica, as duas coisas caminham necessariamente juntas. Poucas pessoas compreendem isso, mas paciência. Também tinha assistido ao filme com o Johnny Depp (http://www.imdb.com/title/tt0120669/) e achado aquilo muita neurose no coração, uma bad trip de duas horas. Gosto de pensar que a minha relação com as químicas é absolutamente saudável, mas posso estar enganado. De qualquer maneira, foi um prazer participar da visão alegórica que os Supercordas tiveram da contracultura. Fiz uma musiquinha pra homenagear o homem: http://soundcloud.com/sol_moras/the-american-dream No Youtube, eu, Hunter Thompson, Ginsberg e o igarapé da galáxia: http://bit.ly/2iMzlL O Método rendendo frutos na perseguição da cabeça da galinha: http://bit.ly/uAPvI E todas as vinhetas ruradélicas: http://bit.ly/4BKmdHTuesday, November 10, 2009
Olhe bem, preste atenção
É a fome com a vontade de comer mais poder. A ministra Dilma, que ao lado discursa na frente de um cara muito maneiro, disse que o governo vai cortar 40% da emissão dos gases estufa. A maioria comprou a mistificação alarmista do aquecimento global antropogênico e nem desconfia da real motivação: concentrar mais poder nas mãos dos políticos e burocratas da ONU. Dizem haver um "consenso" tapando os ouvidos quando surgem os cientistas céticos dessa nova escatologia, mais uma desculpa pra ampliação do controle sobre as liberdades individuais. A ministra comunista e guerrilheira nem tenta mais esconder: "As medidas permitirão que o governo esteja bastante forte". É tudo pelo bem do planeta, gente!
241
Manchete de O Globo: MEC faz propaganda do governo no Enade. Não me diga! #realmentesurpreendente
PJ O'Rourke
Anyway, no drug, not even alcohol, causes the fundamental ills of society. If we're looking for the source of our troubles, we shouldn't test people for drugs, we should test them for stupidity, ignorance, greed and love of power. America wasn't founded so that we could all be better. America was founded so we could all be anything we damned well pleased. Even very young children need to be informed about dying. Explain the concept of death very carefully to your child. This will make threatening him with it much more effective. Feeling good about government is like looking on the bright side of any catastrophe. When you quit looking on the bright side, the catastrophe is still there. Giving money and power to government is like giving whiskey and car keys to teenage boys. I like to think of my behavior in the sixties as a "learning experience." Then again, I like to think of anything stupid I've done as a "learning experience." It makes me feel less stupid. If you are young and you drink a great deal it will spoil your health, slow your mind, make you fat - in other words, turn you into an adult. Seriousness is stupidity sent to college. The Democrats are the party that says government will make you smarter, taller, richer, and remove the crabgrass on your lawn. The Republicans are the party that says government doesn't work and then they get elected and prove it. The good news is that, according to the Obama administration, the rich will pay for everything. The bad news is that, according to the Obama administration, you're rich. The weirder you're going to behave, the more normal you should look. It works in reverse, too. When I see a kid with three or four rings in his nose, I know there is absolutely nothing extraordinary about that person. There is only one basic human right, the right to do as you damn well please. And with it comes the only basic human duty, the duty to take the consequences. (http://reason.com/blog/2009/07/02/reasontv-pj-orourke-where-was)
Monday, November 09, 2009
A queda do Muro de Berlim e a tirania do estado
Friday, November 06, 2009
O caso do auto-interesse
Um exemplo pra mostrar que o auto-interesse não é algo negativo, ao contrário, é correndo atrás dos seus próprios objetivos que cada um contribui pro todo. Como funciona uma obra num apartamento? Primeiro você tem que ter um. Você procura então um corretor de imóveis dizendo que tipo de apartamento você quer e quanto dinheiro você tem pra gastar. É do interesse do corretor conseguir intermediar essa venda pra ganhar uma comissão. Ele pode até fazer uma leitura errada daquilo que você quer, mas não é do interesse dele mostrar imóveis que não te interessem porque ele também não quer perder tempo. Quando finalmente aparece um apartamento que te agrada, você faz um lance. Se o dono aceitar o lance, a venda é efetivada. Só nessa operação, 3 pessoas são diretamente beneficiadas: você conseguiu o apartamento que queria, o corretor conseguiu a comissão que queria e o antigo dono conseguiu o valor que queria. Ninguém entrou nessa transação pra fazer o bem pro outro, isso é apenas uma consequência. Então você tá lá com o apartamento e considera que ele precisa de uma obra pra ficar do jeito que você quer. Pra isso você chama alguém especializado nesse tipo de projeto. Você troca uma idéia com o arquiteto dizendo o que quer e ele te apresenta um projeto com um orçamento, que você pode aceitar ou não. O arquiteto tenta fazer a coisa de modo a te agradar, porque só assim ele vai fazer o trabalho e ser pago. Chegando a um acordo com ambas as partes satisfeitas (pleonasmo), o momento é de executar o que está no papel. Pra isso é preciso uma equipe especializada e você não vai sair contratando qualquer um por aí, você vai conversar antes com pessoas de confiança que têm experiência com esse tipo de coisa e pedir indicações. Equipe indicada, as partem têm que chegar num acordo sobre o orçamento. Você não está explorando ninguém, a pessoa só faz o trabalho se o acordo lhe for vantajoso. Não há, a princípio, antagonismo entre empregado e empregador. Tudo acordado, a obra se inicia. O trabalho tanto pode ficar bem ou mal feito. Se bem feito, os empregados vão receber e serão indicados pelo empregador caso ele seja consultado por alguém querendo saber de gente que faz bem uma obra. Se mal feito, nada disso vai acontecer. Se o objetivo dos trabalhadores da obra é permanecer nesse ramo, é do interesse deles fazer um bom trabalho. A obra então chega ao fim e todas as pessoas que participaram do processo saíram mais satisfeitas do que quando entraram. Um ciclo virtuoso em que ninguém precisou se sacrificar por ninguém, bastando o interesse próprio como mediador das relações.
Thursday, November 05, 2009
Tropicalismo intelectual: Caetano Veloso
Também sou fã do Caetano, mesmo. Não do tipo que ouve os discos ou vai nos shows, mas que simpatiza com a energia do cara, sabe? Não paro pra ouvir a música porque sou um indie metido a besta, mas leio as entrevistas com interesse porque o Caetano gosta de falar de tudo quanto é assunto e me identifico com isso. O lance é que fiquei com essa mania de interpretar o que os outros dizem pra ver se aquilo faz sentido. Porque muita coisa que é dita pode não ficar de pé com o teste da teoria e da realidade. Por que eu tô falando disso mesmo...? Porque ele diz que vai votar na Marina Silva "por ser demais forte simbolicamente para eu não me abalar" ao mesmo tempo em que endossa as teorias nacional-desenvolvimentistas malucas do Mangabeira Unger. Se há uma contradição entre essas duas posições, o Caetano recorre à "complexidade" da realidade. Realmente, a realidade é complexa, mas complexidade não é sinônimo de caos, confusão ou contradição. Há uma explicação - uma ligação causal mesmo que imperfeita - pras coisas que acontecem. Imagino que essa explicação seja o que ele chamou de "desejo do lucro". Eu traduziria o malvado "desejo do lucro" pela luta pela sobrevivência. Este é o fato que inevitavelmente nos transforma em seres egoístas, no sentido de que pensamos primeiro em nós mesmos. Alguns não se conformam com esse dado da realidade enquanto agem pensando no que é melhor pra eles mesmos. Podem fazer escolhas erradas, mas naquele momento era o que eles queriam ou podiam fazer. Pensando primeiro em si mesmo, você ajuda os que estão em volta de você porque se você quer ter valor, você tem que dar valor. A busca pelo lucro estimula a virtude, porque só lucra quem oferece algo de valor ao outro em todos os sentidos subjetivos da coisa. E dentro desse esquema, quais são as regras a serem respeitadas? O Caetano diz que "simpatiza muito com a tradição liberal inglesa e anglófona", mas não se identifica "com a idéia do estado mínimo". Por que? Não se explica. Deve ser porque ele diz acreditar "no estado regulador". Depois fala que o Freud explica melhor o ser social do que "os marxistas e do que muitos liberais". Freud pode explicar muita coisa, mas não explica os efeitos na economia do estado regulador e empresário que temos hoje. Não, a culpa das crises é do "desejo do lucro" e o estado é inocente. Ele é comandado por pessoas muito diferentes daquelas outras que só "desejam o lucro". Caetano simpatiza com Hume, Locke e Mill, mas vota em Zizek, Gore e Mangabeira Unger. (http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,as-ultimas-de-caetano-veloso-em-entrevista-exclusiva,461281,0.htm)
George Carlin e os direitos
Sou um grande fã do George Carlin, o que não quer dizer que eu concorde com tudo o que ele diga. Até porque ele tem uma visão absolutamente desesperançada do ser humano, não sei se por efeito cômico ou por uma convicção real. Mas me parece justo reconhecer que, ao mesmo tempo em que o homem é capaz de fazer o mal, ele também pode fazer o bem. Não digo isso por ser bonzinho ou ingênuo, mas por uma questão lógica. Só existe o mal porque existe o bem, só existe a mentira porque existe a verdade. Neste vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=4F1Lq1uFcAE), ele diz que "there's no such thing as rights" e fala que "se existissem os tais direitos, as pessoas teriam direito à comida e a um teto sobre as suas cabeças". Se ele está falando desses direitos positivos, realmente, não há um direito à moradia porque isso equivaleria ao dever dos outros construírem essa moradia. Solidariedade compulsória não é virtude, é escravidão. Quando um parlamentar brasileiro escreve na Constituição que "todos têm o direito à educação, saúde, profissionalização, cultura, dignidade, respeito, lazer e moradia", ele está apenas fazendo demagogia barata com o dinheiro alheio porque o papel aceita tudo. O único direito que as pessoas têm e de onde todos os outros são derivados é o direito à vida. Isso não significa que ele vai ser sempre respeitado, como todos estão cansados de testemunhar. Mas quem o desrespeita tem que saber que vai ser punido de maneira proporcional e exemplar por isso, seja no arranjo que for, com ou sem governo. Aliás, thumbs up pro Carlin pelo final do vídeo.
Sunday, November 01, 2009
Thursday, October 29, 2009
Sobre direito autoral 2
A venda do livro físico não vai acabar, assim como os cds não acabaram. Com coisas físicas o direito autoral nunca vai acabar. Tá lá o livro, feito não só da imaginação do escritor como do papel produzido a partir da árvore derrubada pelo funcionário de uma multinacional gananciosa... Os ambientalistas deviam ser grandes entusiastas dos avanços da tecnologia. Imagine quantas árvores serão poupadas com a diminuição na venda dos livros de papel?
Sobre direito autoral
Vi essa expressão "cotidiano diário do dia-a-dia" no Casseta e Planeta, dei risada e não esqueci. Eu devo algum pros caras? Eles inventaram ou registraram essa expressão lá onde quer que seja que registram essas coisas? As novas tecnologias inviabilizam na prática o direito autoral? Antigamente, sem internet, dava pra controlar - mesmo que mal - o processo. Como é que o cara vai impedir o compartilhamento de arquivos? Não dá, fecham o Napster e surge o Soulseek. Fecham o Soulseek e criam o Torrent. ComéquiFeist?! Taí, vou registrar essa jogadinha indie lá onde quer que registram essas coisas. Li hoje o pessoal das editoras falando que os músicos podem dar shows e ganhar dinheiro e os escritores não. Como assim? O que são as palestras? "Mas nem todos são chamados pra dar palestras?" Nem todas as bandas são chamadas pra dar shows. Há um motivo que faz o Radiohead arrastar multidões e a banda Y não. Ia escrever "banda X" mas existe uma banda X muito maneira, agitadinha punkzinha. De qualquer maneira, com os e-books e kindles circulando por aí, não vai ter como controlar o fluxo. Mesmo hoje são poucos os escritores que conseguem viver de direitos autorais. Lembrei aliás que o governo compra 60% de todos os livros vendidos no Brasil. Não bom. Mas o que eu tava mesmo falando...? "Busca na memória". Memória RAM? "Melhor, lê o que você já escreveu". Podicrê. ComéquiFeist?!
O cotidiano diário do dia-a-dia 2
Cineasta grego diz que o socialismo foi uma grande decepção. Theo Angelopoulos (onde estão os Parmênides, Aristóteles e Platões da Grécia contemporânea? Esses nomes foram por acaso proibidos?) disse: "O socialismo, a grande esperança que marcou o século 20, virou uma imensa ilusão. Minha geração foi marcada pelo socialismo, pela possibilidade de mudar o mundo, e isso não aconteceu. Foi uma grande decepção, e milhares de pessoas morreram por isso". Excelente, mas eu diria que milhões de pessoas morreram por isso. Queria ver os seus colegas de geração no Brasil terem a mesma lucidez. Onde estão os medalhões do Cinema Novo fazendo também o seu mea culpa? Será que eles desistiram mesmo do sonho? O Jabor de vez em quando parece cair na real, antes de voltar à sua programação normal de confusão mental. Realmente, deve ser duro apostar toda a sua juventude numa causa que se mostrou tão deletéria. Desconfio que haja um paralelo entre a esquerda festiva do cinema e os políticos petistas que se tornaram "pragmáticos". Realizaram ambos um recuo tático, aceitando uma nesga de economia de mercado contanto que ela continue bancando - a fundo perdido - a sua luta "por um outro mundo possível". É possível mesmo, não sei se é desejável. O socialismo não é uma boa idéia que foi mal executada, é uma péssima idéia cujas premissas resultam inevitavelmente naquilo que as pessoas conhecem hoje como o "socialismo real".
O cotidiano diário do dia-a-dia

Lei Seca: ator tem carteira apreendida por causa de uma taça de champanhe. O Bruno Gagliasso teve que pagar 1.000 reais por colocar em risco a vida alheia (uma taça de champanhe é o suficiente pra um homem pacato se transformar num maníaco perigoso ao volante) e mais 150 porque a documentação não estava em dia. Aumento na receita do IPVA. Autoridades comemoram a arrecadação. Animados, prometem agora extorquir os motoristas do interior. "Toda vez que um veículo é apreendido, o motorista só retira o veículo após o pagamento do imposto", diz uma fonte do governo. YAY! A lei talibã fez entrar mais dinheiro pra máfia dominante, algo a ser comemorado por todos os cidadãos interessados na promoção do bem comum. Puxadinhos: ultimato para a legalização. Se você mora no "asfalto" e quer ampliar a sua residência, você precisa da autorização do governo (leia-se taxas), caso contrário, seus agentes partirão para a demolição. Alemão que comprou 37 imóveis no Vidigal desiste de projeto hoteleiro. O gringo achava que seguiria as mesmas regras que os outros moradores da "comunidade", ou seja, nenhuma. Não, ele é um estrangeiro explorador e tem que seguir as normas impostas aos outros exploradores do "asfalto". "Cada morador da 'comunidade' pode abrir o que quiser. No meu caso, querem que eu cumpra um monte de exigências. Cresceram o olho. É o primeiro embargo da história do Vidigal. Desisti.".
Wednesday, October 28, 2009
A manutenção do tesão
Uma das dificuldades de quem é casado é manter o tesão pelo outro em dia. No início da relação o sexo rola fácil, mas depois de uns anos a coisa complica. Não se trata de uma regra, mas a novidade acaba e é natural uma certa acomodação. Não tenho filhos, mas imagino que isso também potencialize a escassez. Os filhos não só drenam a energia como dificultam a privacidade necessária. É preciso também autoconfiança pra coisa acontecer. Se a pessoa tá se sentindo feia, não vai ser fácil pra ela entrar no clima, o que vai desestimular o outro e vice versa. Porque quando a pessoa vai transar, ela entra quase que numa outra dimensão e tenta se esquecer temporariamente dos pruridos pra se engajar num negócio que não é exatamente um concurso de etiqueta vitoriana. O bicho tem que pegar e se não pegar é porque não rolou. Tem que se deixar levar, senão não acontece. Ou acontece mal. Não é à toa que o momento em que os animais estão transando seja o momento em que eles estão mais vulneráveis. Estão temporariamente numa espécie de transe, o nome "transa" deve vir daí, sei lá. A expressão "manutenção do tesão", aliás, não pode ser abreviada pra manutesão, que é outra coisa, um esporte solo.
O autoritarismo de esquerda e de direita
Generalizando, os esquerdistas usam o autoritarismo na luta contra a necessidade material - "não se é livre ao precisar comer" - então acham muito justo o estado usar do seu aparato de coerção pra tirar de uns e dar pra outros, cobrando uma comissão no meio do caminho. Os direitistas usam o autoritarismo na luta contra a degradação moral - "não se é livre ao se drogar" - então acham muito justo o estado usar do seu aparato de coerção pra proibir comportamentos desviantes da norma, cobrando uma comissão no meio do caminho. Há aí uma óbvia ânsia de controle, tanto do lado econômico quanto comportamental. Ambos se baseiam em premissas coletivistas, tratando o indivíduo como um meio pra algo maior - "uma sociedade justa e solidária" ou " uma sociedade moral e saudável". De qualquer maneira, o estado cresce e a liberdade individual decresce. Qual o crime que o camarada comete quando dá 1 2? Nenhum. Se ele - doido de alguma substância - atenta contra o outro, aí sim o crime se configura, com a droga servindo como agravante ao invés de atenuante. Responsabilidade individual independente da opinião da maioria, o caminho pra uma sociedade livre.
Tuesday, October 27, 2009
Cultuando a merda
A tara por ninfetas
A pedofilia causa muita discussão porque fica numa zona cinza passível de diversas interpretações. Acho que é de conhecimento geral que muitos homens têm uma queda especial pelas ninfetas, pelas Lolitas do Nabokov. Há provavelmente aí um misto de atração pela inocência e uma ânsia de inaugurar os trabalhos, de ser um pioneiro num território inexplorado pra depois contar pros amigos e ser considerado um garanhão de primeira, um heterossexual acima de qualquer suspeita. Alguns dizem ter preferência inclusive por meninas que ainda não têm nem pêlo pubiano. Então é natural e saudável que exista uma precaução dos pais em relação às filhas. O filho por sua vez tá livre pra galinhar por aí e provar que não é de maneira alguma um viado. Mas o pai é homem e sabe como funciona a cabeça (uia!) de muitos dos seus semelhantes: "Não, minha filha, você não pode dormir na casa da sua amiguinha, muito menos na casa do pai esquisitão da sua amiguinha." #belezaamericanafeelings #twitterfeelings Claro que muitas meninas são curiosas e não têm noção do perigo, deixando-se seduzir por alguém mais experiente. O sexo é natural, mas o troço é sério. Então por um lado existe uma demanda tremenda por meninas novinhas e, de outro, uma necessidade de pais atentos que saibam disso e tratem de cuidar de suas filhas pra que elas não saiam fazendo coisas que se arrependam depois. Um equilíbrio delicado.
Sobre o cu
Tá lá embaixo a Madonna supostamente chupando o cu de um homem. Digo supostamente porque dá pra ver que ela tá só brincando na lateralidade da coisa, depois de provavelmente ter pedido pro seu amigo bailarino "limpar bem a área". Mas o fato é que tem gente que tem prazer ao chupar cu. Na minha cabeça soa como uma maluquice ter um contato tão íntimo com o excremento alheio, mas cada cabeça uma sentença. O valor não é subjetivo? Então. De qualquer maneira, a coisa ali embaixo não é apenas psicológica, dizem que o orgasmo anal é um experiência intensa atingida com a estimulação da próstata. Nunca experimentei, deixo esse orifício pra sua função tradicional escatológica e cancerológica, mas o que fazer com o camarada que se dá esses desfrutes? Ele teria algum problema mental por isso, algo a ser tratado pela medicina tradicional ou pela obra divina? O próprio sexo anal entre homem e mulher pode ser enquadrado como um comportamento desviante ou desviadante? Me parece que as especulações sexuais são tão infinitas quanto os desejos e sendo de comum acordo, tá valendo.
Monday, October 26, 2009
Fascismo à brasileira
"O fascismo deveria ser mais apropriadamente chamado de corporativismo, pois trata-se de uma fusão entre o poder do estado e o poder das grandes empresas". Benito Mussolini (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=437).O medo do pau alheio 2
O Ronaldo podia pagar uma prostituta de luxo com todos os equipamentos femininos em dia, mas escolheu pegar um travesti na rua. Uma prostituta limpinha com bons modos não supria os seus desejos naquele momento, ele queria algo from the gutter, d'you know what I mean? Por ter esse aspecto imprevisível e poder gerar sérias consequências, não é de se surpreender que o sexo seja o grande alvo da castração religiosa. Claro, imagine se não houvesse uma instância moral ou legal que fizesse o cidadão pensar duas vezes antes de sair por aí satisfazendo os seus desejos? Não estou dizendo que um homem civilizado não seja capaz de frear os seus impulsos sem uma religião por trás, mas nem todos resistem, nem os mais devotos religiosos. Alguma dúvida de que muitas vocações eclesiásticas não estão tentando reprimir ali as suas inclinações sexuais? Não estou condenando a religião, estou tentando compreender como as pessoas lidam com ele. Um caso que exemplifica essa confusão ao extremo é a pedofilia. Outro dia passou um documentário da BBC em que o Louis Theroux visitava uma penitenciária americana exclusivamente de pedófilos. Os caras têm plena consciência de que abusar de uma criança de 9 anos é errado, mas - ao mesmo tempo - dizem não ter o controle absoluto dos seus desejos. E aí? O cara tá obviamente agredindo o outro e merece ser punido, mas a partir de que momento a pessoa é capaz de se engajar num sexo consensual? Continua.
O medo do pau alheio
Ou "Quem tem cu tem medo". Quem quer que tenha crescido na rua ou mesmo num playground sabe que a sua heterossexualidade - entre os amiguinhos - está permanentemente sub júdice. Todo garoto é viado até que se prove o contrário. Então o camarada que deseja fazer parte daquele grupo passa a ter que dar mostras diárias de que ele gosta mesmo é de mulher, que ele é um predador sexual que não perdoa, mata. Se "amarelou" com Sicrana, é viado. Se - depois disso - deixou que o chamassem de viado sem sair na porrada, é viado ao quadrado. Não tem muito como escapar e mesmo amigos já adultos - e, pelo menos nominalmente, heterossexuais - se tratam como "viadinho" com a maior naturalidade. "Porra, não vai ver o jogo com a galera? Tu é o maior viadinho, hein?" Claro que isso é rescaldo daquela época, ninguém vai sair na mão porque o amigo te chamou de "viadinho", faz parte da etiqueta. Quando se é adolescente, o único xingamento pior que viado é FDP. Se meteu a mãe no meio, é porque a coisa é séria e você não pode deixar barato, sob pena de ser um viado ao cubo. Por que me lembrei disso? Porque ontem a gente tava falando no affair do Ronaldo com os travestis. É óbvio que o Ronaldo sabia que aquela mulher era homem, né? E por que um "heterossexual" procura um travesti? Por que não uma prostituta mulher? Porque o travesti tem algo ali que a mulher não tem: um pau. Não estou fazendo juízo de valor, a sexualidade não é exatamente uma escolha e, quando o camarada se dá conta, tá tendo tesão com coisas que quando ele crescia com os seus amiguinhos homofóbicos nem imaginava ter. Volto ao assunto.
Friday, October 23, 2009
Conversando com Thom Yorke 2
Something for the rag and bone man. solidariedade voluntária, isso aí. "Over my dead body". não, você é livre pra ajudar o outro. Something big is gonna happen. sim, uma boa ação. "Over my dead body". não seja dramático. Someone's son or someone's daughter. tanto faz. "Over my dead body". ninguém vai matar ninguém, por favor. This is how I end up getting sucked in. liberdade e responsabilidade. "Over my dead body". se acalme, cidadão. I'm gonna go to sleep. esse horário de verão roubou uma hora do meu sono. Let this wash all over me. what? We don't wanna wake monster taking over. o thom yorke é o hulk? "Tiptoe round tie him down". não parece. We don't want the loonies taking over. os goonies são maneiros. "Tiptoe round tie them down". liberdade ainda que à tardinha. May pretty horses. tipo um garanhão? Come to you. ih... As you sleep. papo estranho. I'm gonna go to sleep. não quero nenhum cavalo atrás de mim não. Let this wash. já viu o tamanho do bicho? All over me. nem pensar.
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Um boliviano de La Paz acabou de visitar o post sobre o Thom Yorke. Um indie boliviano, mas não bolivariano, espero. Deve sofrer patrulha por gostar da música dos imperialistas. Pelo menos a internet por lá ainda não é proibida. Ainda. Ou então era apenas um gringo de passagem... O que tem pra se visitar na Bolívia?
Conversando com Thom Yorke
Please could you stop the noise, I'm trying to get some rest. sorry, man. From all the unborn chicken voices in my head. chicken voices? What's that? (I may be paranoid, but not an android) a great song. What's that? (I may be paranoid, but not an android) tem mesmo essa parte na letra? When I am king, you will be first against the wall. me mata não. with your opinion which is of no consequence at all. você está enganado nessa, thom. What's that? (I may be paranoid, but no android) yeah, maybe. What's that? (I may be paranoid, but no android) ok. Ambition makes you look pretty ugly vamos nos aprofundar nesse papo de ambição? Kicking, squealing, gucci little piggy. entendi. uma menina gordinha usando gucci. You don't remember. era da boa, man. You don't remember. só os highlights. Why don't you remember my name? eu bebi muito naquele dia. Off with his head, man. most certainly. Off with his head, man. o cara tava doidão? Why don't you remember my name? I've already told you, man. I guess he does... yeah, me too. Rain down, rain down. esses guarda-chuvas de hoje são todos descartáveis, né? Come on rain down on me. fui no google conferir o plural de guarda-chuva. From a great height. e vento. From a great height... height... o vento fode com os guarda-chuvas. Rain down, rain down. aí você tem que comprar toda hora um novo. Come on rain down on me. ele enverga, sabe? From a great height. aí quando você se dá conta... From a great height... height... a música já acabou. Rain down, rain down. não acabou não, é pilha. Come on rain down on me. essa música é cheia de partes diferentes. That's it sir. ok, man. You're leaving. whatever you say, thom. The crackle of pigskin. what? The dust and the screaming. sei. The yuppies networking. tipo wall street? The panic, the vomit. pega leve na birita, man. The panic, the vomit. porra, li que o eric clapton bebia 2 litros de uísque por dia. God loves his children, God loves his children, yeah! não deve fazer bem.
O Serra na Piauí
O Serra deu uma longa entrevista à revista do João Moreira Salles. Tenho às vezes discussões com alguns colegas liberais (sim, eles existem) sobre o que é melhor: anular o voto, não votar, votar em branco, votar no Serra ou na Dilma, no esquema do "quanto pior, melhor". Fico tentado a evitar esse cenário votando no que eu consideraria um mal menor, a aliança PSDB-DEM. Essa entrevista me deixou ainda mais em dúvida, porque a crítica que o Serra faz aos presidentes anteriores se concentra justamente nos fundamentos da economia, a única coisa relativamente sensata desses governos. Daria pra especular que o Serra é alguém que acha que metas de inflação, austeridade fiscal e câmbio flutuante atrapalham "o desenvolvimento e a geração de empregos". Essa falsa dicotomia é reforçada pelo depoimento de um amigo próximo, um professor da UNICAMP chamado João Manuel Cardoso de Mello, um dos formuladores do Plano Cruzado - aquela maluquice - que diz que a obsessão do Serra é "acabar com a pobreza". Nobre objetivo, só falta discutir os meios. Eu imagino quais sejam, mas deixa quieto. Serra se diz "à esquerda" do Lula e o tal de João Manuel fala que ele e a Dilma "têm a mesma visão de mundo", um péssimo sinal. As melhores declarações acabam sendo mesmo dos outros, porque o Serra não abre a guarda e só se manifesta guiado por pesquisas de opinião sobre o que as pessoas querem ou não ouvir. Política, né? Eis um dilema que aflige qualquer liberal: ter um fiapo de esperança que a aliança PSDB-DEM equilibre o pêndulo ideológico ou apostar no "quanto pior, melhor" como a única maneira dos brasileiros repensarem a armadilha estatal. As pessoas podem ficar desqualificando as ideologias como relíquias do passado, mas atrás de todo discurso "pragmático" há uma visão de mundo, um modo de ver as coisas que norteia as ações ao lado das circunstâncias e conveniências políticas. Essa geração que está no poder nos últimos 20 anos foi criada com uma dieta socialista e, por isso, todos os candidatos se dizem "de esquerda". Me parece que a tentação autoritária do PSDB em relação ao PT é um pouco menor (a analogia esquerda "vegetariana" e "carnívora" se aplica), mas a entrevista confunde mais do que esclarece. (http://muitasbocasnotrombone.blogspot.com/2009/10/jose-serra-na-revista-piaui-texto.html)
Thursday, October 22, 2009
239
"O papel da imprensa não é fiscalizar"
O presidente mais cínico da história deste país deu mais uma mostra do que entende como liberdade de expressão. Em entrevista à Folha, o "cara" disse que "o papel da imprensa não é fiscalizar, é informar". Um simpatizante petista diria: "Mas é isso mesmo!" Sorry, não cabe ao presidente dizer o que a imprensa deve ou não fazer. Na época em que ele era oposição, a imprensa era chamada de "o quarto poder" por realizar reportagens investigativas e atuar como fiscal dos governos, como qualquer imprensa com um mínimo de respeito próprio tem o dever de fazer. Tudo bem que ela sempre esteve lotada de petistas, mas essa é uma outra história. Pra completar, o "cara" disse que o papel de fiscalizador é do "TCU, da Corregedoria-Geral da República e de outros órgãos". Ora, ora ora. Quem tem então a permissão presidencial pra fiscalizar são os órgãos comandados por pessoas indicadas pelo próprio governo. Não é uma maravilha? O novo ministro do TCU é ninguém menos do que José Múcio, ex-ministro do "cara". Deu pra entender? Só quem pode "fiscalizar" o governo são os aliados do governo. A imprensa foi muito útil até o PT chegar ao poder, agora ela pode ser dispensada. A partir de hoje, só releases das realizações do "cara" e o cheque da propaganda oficial. É a "democracia popular" sem medo de ser feliz.
Wednesday, October 21, 2009
"A desorganização do futebol brasileiro"
Quando um comentarista se mete a dar um diagnóstico sobre o futebol brasileiro, ele invariavelmente evoca a "falta de organização". Se os jogadores saem novos do país pra jogar na Europa, a culpa é da "falta de organização"; se os estádios ficam vazios, a mesma coisa; se o Brasil perde uma Copa, lá vem a "desorganização" de novo. Qual "organização" eles propõem então? Não se especifica, talvez se ouça aqui e ali um "organização profissional", mas a coisa permanece vaga. Da mesma maneira, se crava a "educação" como o problema maior do Brasil. Todos falam que a "educação" é a solução e estamos conversados. Qual educação? Não vamos complicar, o coro uníssono parece mesmo um grito de torcida organizada: "Ão, ão, ão, eu quero educação!" "Ão, ão, ão, o que falta é organização!" Claro, existem tantas "organizações" ou "educações" quanto estrelas no céu e receitar essas platitudes bem intencionadas sem definir objetivamente os conceitos não adianta muita coisa.
A propriedade sobre obras de arte
Claro que o juízo de valor começa quando eu chamo de "obra de arte" algo que outra pessoa pode considerar um lixo. O valor é subjetivo, ora bolas. Então as obras do Hélio Oiticica queimaram e se iniciaram as pressões pra que o estado cuide do patrimônio dos outros. Sim, porque as obras de arte de quem quer que seja pertencem ao seu criador e aos herdeiros que ele indicar. Se o proprietário é negligente com os próprios bens, problema dele. "Mas aquilo é um patrimônio cultural da humanidade". É mesmo? Quem disse? "A crítica, as teses, o reconhecimento mundial..." Ah, então as músicas do Michael Jackson não pertencem mais à família dele, pertencem à "humanidade". Mas quem representa a "humanidade"? A ONU? O que acontece em todos os quadrantes é um ataque concertado à noção da propriedade privada, uma coletivização do pensamento que tenta ignorar que as coisas, afinal, têm donos. A obra do Hélio Oiticica não me pertence de maneira alguma, se eu quisesse um Parangolé, eu podia ter ido lá e oferecido algo em troca aos seus proprietários. Caso contrário, nada feito. O governo, pra começar, não devia nem ter museus, TVs, teatros ou cinemas. A própria existência de um Ministério da Cultura é uma maluquice autoritária, algo inventado por - só pra ilustrar - Benito Mussolini. E esse dirigismo cultural nem dá pinta de retrair, as pressões de todos os lados dizem que o estado deve se meter ainda mais na - não sei se a palavra ainda se aplica - "cultura". Qual "cultura" é possível se ela tem que ter a aprovação prévia do status quo? Esse povo é artista ou é funcionário público?
Tuesday, October 20, 2009
Monday, October 19, 2009
O Enem e a liberdade individual
"O MEC ainda não conseguiu tornar o Enem universal e obrigatório para todos os estudantes e necessário para a entrada em todas as faculdade e universidades do País. Felizmente! O objetivo é torná-lo obrigatório para todos. Como ambicionam todas as burocracias, sobretudo as que têm poder de estabelecer monopólios. O objetivo é fazer todos ficarem iguais, como Brasília ou Tashkent, capital do Usbequistão. Nada a estranhar. A segunda coisa pela qual Oscar Niemeyer é mais famoso é por ser comunista. Seu objetivo principal era a igualdade por meio dos tijolos, a qualquer custo. Em seu livro O Sagrado Moderno, Avatar Moraes mostra que a arte só veio a existir com o capitalismo. Antes, o que existia era artesanato. Só virou arte depois que o capitalismo criou a possibilidade de aqueles objetos de artesanato (quadros, esculturas, tapetes) serem comprados ou vendidos. Atribuiu-lhes um valor monetário e as pessoas passaram a poder preferir um Picasso a um Modigliani ou um Rafael a um Ticiano. Sem a diversidade de gostos que o capitalismo propicia não existiria a arte como a entendemos hoje." Alexandre Barros (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=423).
Humor e vaidade
"Alguém, talvez suspeitando que estivéssemos de caso com o humor, enviou-nos a seguinte passagem de Proudhon. Decidimos reproduzi-la em tradução livre com um misto de orgulho e vergonha - o tipo de sentimento contraditório que você sente quando está com uma bela garota e alguém assobia pra ela: A liberdade, como a razão, não existe e nem se manifesta, salvo pelo constante desdém de seus próprios mecanismos; ela definha tão logo se enche de autoaprovação. É por isso que o humor sempre foi uma característica dos gênios filosóficos e liberais, um selo do espírito humano, o instrumento irresistível do progresso. Pessoas estagnadas são sempre solenes: numa multidão, o homem que ri está 100 vezes mais próximo da razão e da liberdade do que o eremita que reza ou o filósofo que discute. Humor - a verdadeira liberdade! -, é você quem me liberta da ambição do poder, da servidão a um partido, do respeito à rotina, do pedantismo da ciência, da admiração às celebridades, da mistificação dos políticos, do fanatismo dos reformadores, do medo desse enorme universo e da vaidade. Venha, soberano, lance um raio de luz em meus colegas cidadãos; acenda em suas almas uma fagulha de seu espírito, para que minha confissão os reconcilie e para que essa inevitável revolução aconteça com alegria e serenidade. A palavra de Proudhon é l’ironie, que aqui traduzimos como “humor”, possivelmente de forma pobre, mas com certa alegria e serenidade. Depois de muitos verões e invernos tendo a musa do humor como amante e gerente de crédito, sentindo-a quente e fria, seguindo seus caminhos irracionais, tomando seus lábios, nossa afeição não enfraqueceu. A ligação se fortalece, mesmo que cada vez mais inoportuna. Venha, soberana, dê-nos um beijo. E nos livre, nesse exato instante, da vaidade. E.B. White" Sentimentos conflitantes. Que o humor é uma coisa maravilhosa, não resta dúvida. Que a luta contra a vaidade me parece perdida, também. O E.B. White pede que o humor o salve da vaidade, mas não deixa de assinar o texto, assim como qualquer humorista se envaidece a cada risada provocada. Ora, por que não? Há um motivo pro cara se orgulhar, ele usou a sua sagacidade pra dar prazer ao outro. That's a good thing, maaaan. É uma gratificação pessoal pelo reconhecimento de uma virtude. Vaidade e orgulho são palavras que carregam sentidos pejorativos mesmo sendo realidades inescapáveis do homem. Claro, não me refiro às suas caricaturas, falo do orgulho e da vaidade como resultados da ação propositada. Quando um jogador de futebol faz um golaço, ele se sente orgulhoso daquilo, por que não? Se é convocado pra seleção, fica envaidecido. O Proudhon, o anarco-comunista da "propriedade é um roubo", diz que nem a liberdade e a razão existem mas pede que o demos razão. Tenta desqualificar a filosofia e a discussão como coisas menores ao mesmo tempo em que tenta criar uma filosofia. Desdenha da ciência certamente respeitando a lei da gravidade. Fala do "fanatismo dos reformadores" ao mesmo tempo em que tenta reformar a sociedade. Qual a "revolução" que ele fala? A revolução do humor? Como seria isso? Não se explica. Então o camarada fica livre pra se colocar acima dessas questões pra enaltecer "l’ironie" como se uma coisa anulasse a outra.Friday, October 16, 2009
237
Thursday, October 15, 2009
Minhas memórias dos professores
Não foram muitas na educação formal, tenho que admitir. Lembro pouco do primário, mas acho que as "tias" na escola municipal Shakespeare no Jardim Botânico eram gente boa. O que mais me marcou ali foi um corte que tive no mindinho esquerdo ao tentar escalar um muro cheio de cacos de vidro. Fiquei impressionado com a quantidade de sangue que saiu dali. Jatos vermelhos. A cantina e o arroz com peixe também marcaram, além do cheiro de álcool que saía daquela copiadora paleozóica, como é mesmo o nome... Depois lembro. De voltar na garupa da moto do meu pai e passar - a partir da terceira série - a ir sozinho de ônibus com a minha irmã um ano mais nova. Das aulas em si? Quase nada. Aí fui pro Pedro II no Humaitá - do lado de casa - e logo senti o desconforto de usar aquele vulcabrás maldito, puta merda. De ter que me levantar a cada vez que os professores entravam na sala. Alguns nem ligavam, mas outros faziam questão de inspecionar cheios de orgulho aquela maluquice. Ah, os diversos hinos que a gente tinha que decorar pra louvar a pátria, a independência, a bandeira e o sesquicentenário do colégio, entre outros ufanismos musicais. Depois de uns 5 deles, vinha o grito de guerra do Pedro II: "3 vezes 9, 27, 3 vezes 7, 21, menos 12 ficam 9, menos 8 fica 1, zum zum zum paratimbum, PEDRO SEGUNDO!" Era uma festa. Aí a gente ia pras aulas aprender a diferença entre seno e cosseno. Como eu comia bala naquela época... A droga da criançada, né? E era o campeão de anotações na caderneta, que maravilha. Querendo me colocar na linha, me colocaram num curso preparatório pras escolas militares no Centro da cidade, o Tamandaré. Foi bom pra eu me familiarizar com aquela área, distante pra alguém criado a leite de soja integral com pêra. Marcou também a porradaria selvagem que aconteceu entre dois moleques logo no primeiro dia. Não gosto de presenciar essas coisas, dão bem a medida do fracasso da razão. Era interessante estudar ali porque tomei contato com pessoas que moravam longe da Zona Sul e acabei conhecendo uma quantidade razoável de vascaínos, coisa que praticamente não existia no Humaitá. O professor que me lembro era um negro magro e alto que ensinava História. Devia ser comunista (como a maioria), mas eu não tinha como julgar na época. Só sei que ele foi um dos únicos que parecia ensinar aquilo com verdadeira paixão, não tava ali apenas cumprindo tabela e isso me impressionou. Não entrei em nenhuma escola militar (nem tentei) e voltei ao Pedro II - turno da noite - nessa altura mais desligado que nunca. Ficava ouvindo música e jogando totó. Jogando muito bem, aliás. Resultado: jubilado ao faltar a prova de recuperação de Geografia. Lembro mais de umas meninas que dos professores. Ambos, aliás, não me davam muita bola. Passei então por um daqueles colégios "pagou, passou": o Pinheiro Guimarães de Ipanema, logo ao lado do Bob's. Muitos milk shakes de ovomaltine depois, fui pra FACHA "estudar" Jornalismo. Na verdade, passava mais tempo na Biblioteca escarafunchando por conta própria os assuntos que me interessavam. Os professores se dividiam em incompreensíveis desconstrucionistas e petistas comunistas e - já naquela altura - a minha paciência com essas coisas era limitada. Quando tentava questionar o que os doutores tentavam enfiar na minha goela abaixo, tomava rosca nas ventas. E às vezes de maneira agressiva: "Quem você pensa que é, moleque?!" Alguns deles, os mais populares, estão até hoje por aí abastecendo os vermelhos.org com lixo marxista. Como eu já estava até o pescoço envolvido no mundinho rock, não me foi nenhum sacrifício abandonar os estudos formais. Tenho agora os melhores professores ao alcance de um click do mouse e a tendência com a disseminação da internet é essa, a descentralização da educação longe das mãos do governo e do MEC.
O dia do professor
Qual "educação" é o problema do Brasil? Essa via crucis em busca da autorização do MEC pra se fazer parte de alguma guilda? Essa "educação" uniformizada por um comitê central? "Educação" fornecida pros súditos ficarem pianinho com o estado e death metal com o mercado? "Precisamos de melhores salários e condições de trabalho!" Eu também, mas isso não se resolve com decretos, tem a ver com a demanda e a produtividade do trabalho. As greves que os professores da rede pública volta e meia se engajam acabam com as reivindicações sendo atendidas (mesmo que parcialmente) e os problemas persistem. Por que? Porque os incentivos estão errados. O currículo deve ser livre, o exercício das profissões deve ser livre e as pessoas devem ser livres pra contratar quem elas quiserem, independente de certificados e diplomas. O mercado de trabalho é engessado e a informalidade é enorme porque existem milhões de regrinhas que obrigam o camarada a frequentar aulas caras, inúteis e doutrinárias que nada têm a ver com o que ele quer fazer da vida. O mercado de trabalho é regulado assim pra proteger da concorrência os grupos de interesse influentes. Se as coisas fossem resolvidas com pressão de sindicatos, era só dar logo o poder pros sindicalistas. Quer dizer, isso já aconteceu, e aí? O Brasil, por acaso, saiu do estado semi-civilizado em que se encontra pra se juntar ao mundo desenvolvido? Todo o papo furado sobre a "educação" cubana adiantou alguma coisa praquele país?Wednesday, October 14, 2009
Especulações sobre a bolsa de valores 2
Se a bolsa de valores reflete as preferências das pessoas, também reflete as ingerências políticas no processo de mercado. Nem vou entrar no mérito se o estado tem o direito de interferir na vida econômica de um país, assumindo que as intervenções políticas são legítimas. Por exemplo, o Sebastian Volta falou nos comentários que o PAC fez as ações da construção civil valorizarem, e não precisa ser um gênio pra perceber que a Copa do Mundo e as Olimpíadas vão causar da mesma maneira um boom no setor, ainda mais sabendo que esse processo será conduzido pelo governo com todas as obras superfaturadas que lhe são peculiares, porque ninguém trata o dinheiro dos outros tão bem quanto trata do próprio. Monopólios estatais e políticas industrias influenciam os investimentos porque o dinheiro não tem pruridos, não segue ideologias. Ele vai pra onde o vento distorcido pelo estado aponta. Se o governante disser que vai subsidiar o setor X, isso vai se refletir na bolsa. Se subsidiar isso ou aquilo é uma boa idéia é outra história. Se o petróleo vai continuar sendo a fonte de energia dominante nas próximas décadas e o Brasil vai conseguir finalmente entrar no rol das potências da OPEP, também não dá pra saber. Não há bola de cristal, as pessoas só podem mesmo especular com a informação que possuem. Por exemplo, o governo quer voltar a tomar conta da Vale pra turbinar o seu nacionalismo socialista. Sei que a empresa vem numa ascendente impressionante desde que foi relativamente privatizada, mas eu ficaria ligado se fosse um dos seus acionistas.
Especulações sobre a bolsa de valores
O que acontece na bolsa de valores? Aquele monte de gente gesticulando numa sala cheia de painéis e monitores é uma loucura, mas tem uma razão de ser. Claro, as coisas acontecem por um motivo e as pessoas não tão ali a troco de nada. Elas querem ganhar dinheiro. "Que horror!" Mas como ganhar dinheiro na bolsa de valores? "Comprando na baixa e vendendo na alta". Beleza, mas o que há por trás disso? Coisas que as pessoas querem. Petróleo, comida, informação, lazer, tudo. A especulação que se faz com uma empresa ajuda na sua viabilização. Se os consumidores gostarem do que a empresa tá oferecendo, os acionistas ganham. Se não, perdem. Há um risco. A bolsa não é um cassino aleatório, como alguns gostam de caracterizar. Ela reflete o desejo das pessoas. Há diversas variáveis num processo em que os investidores tentam antecipar as preferências dos consumidores. Qual é o pecado disso? O culpado da última crise não foi Wall Street, foi o governo americano com o expansionismo monetário do seu Banco Central. Isso os jornais "progressistas" não dizem, gostam mais de fazer caricatura dos especuladores. Qual é o problema com os especuladores? Quem aqui não está o tempo todo especulando?
A rebeldia a favor
O cerco está fechando. Com a popularidade que o atual governo alcançou, surge a possibilidade de se aprovarem leis e medidas que concentrem ainda mais poder no estado, limitando a liberdade de expressão. E essa enorme aprovação não vem apenas da parte menos informada e carente da população, vem também dos formadores de opinião que de tanto papagaiarem que a "justiça social" era a solução, conseguiram finalmente colocar o PT no poder. Não falo só dos formadores de opinião "caretas", dos socialistas jurássicos, essa aprovação vem de uma galera irreverente, underground, de roqueiros muito antenados que acham que o país está no caminho certo com o Lula e o PT. Veja um representante da "contracultura" nacional falando mal da VEJA ou da Rede Globo e testemunhe um eleitor das esquerdas, um autoritário do "bem", um membro do status quo estatista. Essa galera gosta tanto de contestação que, se dependesse dela, a única revista de oposição seria fechada. Falam da VEJA com uma raiva que já nem disfarça a baba. O gene totalitário exige a unanimidade e não admite dissidências. "Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados", disse o Millôr Fernandes, que também cutucou alguns dos heróis da contestação a favor: "Quer dizer que a oposição ao regime militar não era ideologia, era investimento?" Como estão agora no poder, correm o risco de virar vidraça. Era tão mais romântico ser pedra, não é verdade? Os vizinhos camaradas então dão o exemplo de como resolver isso: basta passar uma lei pra "democratizar os meios de comunicação" e assim calar a boca de quem não concorda com o rumo das coisas. Com "rebeldes" assim, quem precisa de opressão?
Tuesday, October 13, 2009
Explicando o livre mercado para um ignorante econômico
"'Se os princípios de livre mercado pudessem atuar desimpedidamente, como Schiff preconiza, o que ocorreria é que tudo seria baseado na maximização do lucro.' Nesse ponto todos nós supostamente deveríamos arregalar os olhos, aterrorizados com tal panorama. Afinal, tanto Michael Moore quanto nosso professor da sétima série já nos alertaram para a perversidade dos "lucros". De fato, o que mais há para ser dito? Porém, como vimos acima, o lucro é simplesmente a maneira de a sociedade aprovar as decisões de produção adotadas por uma empresa. O lucro indica aquilo que os consumidores querem, bem como - por meio do processo de imputação [teoria que diz que os preços dos fatores são determinados pelos preços dos produtos] - o melhor processo para se produzir tal bem ou serviço. Os lucros atraem mais investimentos para uma dada linha de produção. Isso vai levar a um aumento dos bens produzidos. Tal processo vai continuar ocorrendo até que esse aumento da oferta de bens naquela indústria acabe por trazer a taxa de retorno de volta ao nível existente em outros setores da economia. É assim que garantimos que nossos limitados recursos não serão desperdiçados, e que os bens mais urgentemente desejados serão produzidos. Na ausência do lucro como força motriz, como exatamente Che gostaria de ver os recursos sendo alocados? Podemos ou permitir que as preferências dos consumidores guiem a produção, ou deixar que as preferências pessoais de um monopolista (ou seja, o governo) determinem o que deve ser produzido e como. Quando a questão é colocada dessa forma, a escolha torna-se muito clara - e é exatamente por isso que a questão nunca é formulada dessa maneira. Só de curiosidade, será que Che preferiria basear as decisões econômicas na maximização dos prejuízos? Será que tal arranjo seria melhor?" - Thomas Woods (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=417).
Propostas libertárias pra 2016
Aproveitando o gancho da Revista de Domingo do O Globo, que pediu pra alguns cariocas darem suas sugestões pra melhorar e preparar a cidade pras Olimpíadas, vou elencar aqui as minhas propostas. Como a vocação do Rio é mesmo o hedonismo - o lazer e o prazer - algumas mudanças na lei se fazem necessárias. Primeiro: legalização do jogo, qualquer jogo. Não faz sentido essa atividade ser mais um monopólio estatal como é atualmente. Cassinos, bingos, jogo do bicho e qualquer tipo de loteria devem ser liberados, trazendo de volta o glamour e os turistas perdidos com a proibição. Segundo: legalização das drogas, qualquer droga. Mesmo polêmica, a proposta tem tudo pra colocar a cidade na vanguarda mundial. "Mas vão aumentar os sequestros e assaltos se tirarem a fonte de renda dos traficantes". Eu não entendo esse tipo de argumentação. Se deixa um monopólio na mão dos criminosos pra eles não se meterem com crimes de verdade. Aí eles ficam cada vez mais ricos e poderosos, controlando áreas inteiras da cidade. Sim, porque vender tóchico só é crime porque existe uma lei proibindo esse comércio. Com a legalização, as penitenciárias vão esvaziar e a polícia vai poder se concentrar nos crimes reais, aqueles que atentam contra a vida e a propriedade das pessoas. Terceiro: legalização da prostituição, qualquer prostituição acima da idade legal. Hoje a lei esquizofrênica condena o traficante de drogas e livra a cara do consumidor, assim como condena o cafetão e livra a cara do cliente. Essa falta de lógica penal é o terreno onde a corrupção floresce. E floresce paca, numa proporção amazônica. Cometeu um crime doido de alguma droga, cadeia com agravante. Se as relações são voluntárias, não há crime. O turismo no Rio é sub-aproveitado e essas modificações têm tudo pra colocar a cidade como o destino favorito dos hedonistas endinheirados de todo o mundo, gerando renda e emprego pros cariocas. Não é isso o que o pessoal quer? Ou a prioridade é manter esse moralismo hipócrita que tutela o cidadão e empobrece a cidade?
Friday, October 09, 2009
236
O capitalismo de Michael Moore
Preparem-se que lá vem "Capitalismo, uma história de amor", o novo filme do Michael Moore. Ele tá fazendo a promoção lá nos EUA, então já tem diversos vídeos em que ele tenta justificar a sua tese. Ele não explica bem qual é a alternativa ao "capitalismo", exceto uma vaga idéia de "democracia". Já existe uma democracia nos EUA, mas ele não está satisfeito, não é o suficiente. "Democracia do povo", diz, sem especificar nada. Como ele admira a democracia plebiscitária bolivariana, as conclusões ficam fáceis. Tirania da Maioria. Faz muito sucesso. Michael Moore fez um filme exaltando a saúde cubana, preparando o terreno pra brasileirização da saúde americana. Ele quer o socialismo do século 21 e vota no Nobel Obama. Você também? Don't get me wrong, mas o que o Moore e a maioria das pessoas condenam e entendem como "capitalismo" tem outros nomes: economia mista, welfare state, fascismo, socialismo democrático, estatismo e, principalmente, corporativismo. Michael Moore é um desses românticos que acham que as coisas caem do céu. Imagina a riqueza material como um dado da realidade, "basta distribuir". E quando os incentivos fazem a produção ser tão pequena que não há nem o que distribuir? Como é que faz? E, by the way, quem decide como vai ser feita essa distribuição? Você quer dar a um grupo o poder de decisão sobre toda a economia? É isso mesmo? Tem certeza? Porque é, na prática, o que você tá propondo. Se o problema do homem é a "ganância", por que você acha que dar tanto poder a um grupo sobre os outros é uma boa idéia? Os políticos, por acaso, não são humanos? Você já estudou a história dos socialismos, fascismos e nacionalismos do século 20? O problema afinal é de um livre-mercado (capitalismo) que você mesmo, no vídeo abaixo, reconhece não existir? Não duvido da sua boa intenção, mas duvido que esse caminho não resulte numa tremenda confusão (http://www.youtube.com/watch?v=gwQ41Yo60og).
Os poréns da sociedade voluntária
Se a gente imagina que a função do estado seja a de garantir a proteção da vida, liberdade e propriedade, de alguma maneira ele terá que se financiar. Se houver imposto, haverá coerção, afinal impostos são, dã, impostos. Se a alternativa for contribuições voluntárias - caracterizando de fato os pagadores como "contribuintes" - os que pagam se ressentiriam dos caronas. Com um imposto de 10%, por exemplo, pra bancar a justiça e a segurança, as relações seriam 90% voluntárias, os 10% restantes sendo o custo do "mal necessário". Me parece razoável e qualquer liberal consideraria esse cenário 99% melhor do que o status quo. Como a teoria não é necessariamente limitada pela realidade, uma galera deu o salto lógico que faltava e concluiu: ora, por que a Justiça também não pode ser privada e, assim, excluir toda a coerção da vida social? Tenho várias objeções à privatização da segurança porque, entre outros motivos, não teria como haver uma uniformidade de leis. Se a lei deve ser objetiva e igual pra todos, como garantir isso com as diversas agências competindo? As leis seriam iguais e a concorrência se limitaria à aplicação dos procedimentos que as garantiriam? Sou cético em relação a isso, ainda mais no presente estado de coisas, mas quem tiver tempo e gostar de especulações pode ler o seguinte PDF e tirar as próprias conclusões (http://libertarianpapers.org/articles/2009/lp-1-37.pdf).
Thursday, October 08, 2009
235
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